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  • Rosy Greca

Música e Cultura

Rosy Greca


O que é cultura? O que é música?

Segundo o Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, cultura é “o complexo dos padrões de comportamento, das crenças, das instituições e doutros valores espirituais e materiais transmitidos coletivamente e característicos de uma sociedade”.

Em outras palavras, cultura é o conjunto de criações, manifestações e expressões de um povo, uma nação ou uma comunidade, o qual caracteriza sua forma particular de ser e de estar no mundo.

A cultura engloba todas as manifestações, hábitos e costumes de um povo ou de um grupo social e abrange todas as áreas do conhecimento: da gastronomia à moda, dos ritos e rituais religiosos às manifestações folclóricas, das relações comerciais às políticas e sociais, dos esportes às artes.

Música é uma linguagem artística, portanto, a música faz parte da cultura de um povo. Trata-se de uma representação simbólica elaborada e desenvolvida pelo homem ao longo de seu processo evolutivo. Sua origem pode estar no grito dos animais, no farfalhar das folhas, no som do trovão. O fato é que sem a participação ou a interferência do ser humano, com sua capacidade de organizar “sons e silêncios no contínuo espaço-tempo” (BRITO, 2003), criando formas significativas à compreensão e à sensibilidade humanas, a música não existiria.

Mas, será que a música é igual em todas as culturas do mundo?

Não, a música não é uma só. Sua forma e conteúdo variam na medida em que variam as culturas humanas! É claro que sua matéria prima, o som, é universal e os seus elementos (ritmo, melodia e harmonia) são oriundos das propriedades do som (duração, altura, intensidade e timbre).

Então, o que muda na música de uma cultura para outra? Justamente a forma de elaborar as combinações sonoras a partir desses parâmetros, pois, os timbres dos instrumentos e das vozes humanas, as escalas musicais, as divisões rítmicas e as peculiaridades interpretativas de músicos e cantores variam conforme as idiossincrasias de um povo ou de uma nação.

Por exemplo: o timbre. O timbre é a qualidade do som e depende das características físicas da fonte sonora. Imagine a variedade de instrumentos musicais existentes no mundo cujas matérias primas encontram-se na natureza desta ou daquela região do planeta. Percebem como as diferenças culturais estão intrinsecamente relacionadas, inclusive, com as características do meio ambiente?

O ritmo, proveniente das diferentes durações do som, muitas vezes encontra-se condicionado às características físicas e sonoras de instrumentos autóctones, ou seja, próprios de uma determinada parte do mundo, a exemplo dos tambores africanos, das tablas indianas ou das matracas brasileiras. Isso influencia na forma como os povos organizam o ritmo musicalmente.

O mesmo se pode dizer das alturas do som, ou seja, das melodias e harmonias. Suas formas de organização no espaço-tempo variam segundo as infinitas e diversificadas escalas musicais, a exemplo das escalas de tons inteiros, a diatônica, a cromática e a escala microtonal, essa última, presente na música oriental e absolutamente inusitada aos nossos ouvidos ocidentais.

Até mesmo peculiaridades fisiológicas de um povo podem influenciar na maneira de se produzir música causando estranhamento aos ouvidos alheios à sua cultura, como bem traduz a sonoridade gutural do canto das mulheres búlgaras, ou o som anasalado dos aborígenes australianos.

E o que dizer da língua de um povo? A sonoridade de cada idioma muitas vezes é responsável pelas características da música de determinada cultura. Um batuque africano, por exemplo, tem uma acentuação e uma forma muito peculiar de se cantar. É praticamente impossível fazer versões literais de seus textos para outra língua ou conferir o mesmo ritmo musical de uma língua para outra sem realizar algumas adaptações.

A cultura popular também se difere, e muito, de uma sociedade para outra, produzindo diversas manifestações a exemplo do carnaval, dos autos de bois, das congadas e fandangos brasileiros, cada qual com suas danças e músicas típicas que marcam sua identidade regional.

Como vimos, a música é portadora de cultura e, ao mesmo tempo, é afetada por ela. Os diferentes gêneros musicais, as infinitas possibilidades melódicas, a variedade de timbres, as inflexões vocais, as divisões rítmicas, enfim, todos os elementos que compõe uma performance musical integram as bases de suas raízes culturais.

Assim, consideramos de extrema importância o contato da criança e do jovem com as diversas músicas da música em um contexto escolar, pois, como digo em meu livro A Canção para Crianças (GRECA, 2011), “ao se deparar com outras culturas, o jovem se descobre cidadão portador de uma cultura própria e é capaz de, em um insight, descortinar os segredos de sua própria identidade cultural”.



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©2020 por Rosy Carneiro

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